Africano, de Helio Jenné

Helio Jenné toca uma guitarra multicorTratamento da imagem: Ana Rita

Eu
africano, judeu, catalão
muçulmano incréu, irlandês
chinês, francês, afegão
favelado de uma situação,
esnobado, surrado, vilão...

Eu,
o rei sem teto,
sem chão e sem cetro.
Imigrante de outro mundo,
Onde cada palmo tem metro.

Eu,
Com a roupa roída pelo rato
que também roeu
a daquele outro, o de Roma.
tenho um canto que não sai da boca,
meu verso é em outro idioma
conto a vida em minutosanos
insanos.

Eu
Um rei doente, em coma.
Quando é o tempo relativo...
Onde é aqui
A dor tão condensada em um único ponto
Que a misturo as claras às claras
e as bebo de um só gole.
Careta fria.
minha corda,
cadê a caçamba?

Eu
Acordo,
mais africano que o mundo,
Me sinto mais bicho
imundo
que aquele humano
Que remexe o lixo.

Helio Jenné


2 comentários:

Mari disse...

adoro sua maneira de escrever... é leve,sincero.
é muito bom passear por aqui.
um abraço.

Helio Jenné disse...

Obrigado Mari! Saber disso me incentiva a publicar mais!
Um abraço!