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Diga alguma coisa!

Imagem - Acis e Galatea, de Auguste-Louis-Marie Ottin


Mas dizer o quê?
que amo e quero
e sonho acordado com você?
Isso já disse. Que ainda espero
mas não sei bem o quê, nem porquê?

Que a respiração pode ser quente
mas meu olhar, distante e frio
como aquela tarde de inverno...
Que minhas mãos errantes, tateiam no vazio,
em busca da sua rosa, de uma pétala ao menos,
mas a flor caiu no rio que leva os amores plenos

Que a minha inspiração vazou,
os pensamentos fugiram,
os neurônios, desmaiaram
mas meus demônios não dormiram?

Que enquanto minha saudade
fita o distante presente
como um pesadelo silente,
minha língua, o sabor doce do seu beijo, ainda sente?

Que o vento gelado me contou,
me assoprou no ouvido uma lenda
ao cortar minha carne macia,
de mim, de você, da gente

Não quero mais parte,
nem a metade aceito.
Se o todo é impossível, ai de mim,
como pode meia chama arder no peito?

Deixo assim, em desespero profundo,
no velho vento, a saudade
de tudo neste mundo
que não chegou a ser,
pra certamente, mais tarde,
voltar a me arrepender.

Amo, quero, preciso, espero.


Às vezes

Imagem - Cláudia Perotti - Céus tão meus (Parte XIV)


Às vezes sinto saudade
da sua presença irreal
da sua palavra nem sempre amiga
das cobranças nem sempre gentis
Os papos de me liga agora? ligo.
Já não ligo. Já não importa. Mentira.

Às vezes me pego a sonhar
um pensamento pescado no ar
um toque ... quatro destinos
- três confirmados e um monitorado -
por aparelhos e pelos olhos invisíveis da culpa
que se cruzaram em um breve momento
e não mais vão se encontrar

Às vezes me esforço para escutar
os ecos da sua voz
mas suas sombras se afastam no espaço
e só me resta a lembrança fragmentada
de dias contados nos dedos
lambuzados de chocolate

Às vezes, meu Deus, me ajude
a garganta incha
os olhos ardem
o peito se comprime,
mas lembro da profecia que dizia
que o amor pode passar,
mas a loucura resiste ao tempo
e é mais forte que tudo. Perene.

Às vezes eu tenho um momento de lucidez.